(...) Sozinho no planalto verde, tão quieto e grande que tocava o céu azul. Ao longe a cidade, de granito negro debaixo do céu cinzento.
A letargia zen foi quebrada no dia em que Elis se instalou na minha área de percepção, o meu quintal de 50 hectares, fugindo à urbe corruptora e depravada. Ela moveu o meu mundo, da terra ao céu, dos pés à alma. Tudo toldou.
E numa brisa quente de Agosto ela foi, para não mais voltar. (...) À medida que se embrenhava na distância a paisagem do planalto foi encoberta pelo azul celeste. Mas o chão, secou. Aqui já não nascem sentimentos. Só se vierem de cima. Do além.
Desci do planalto, virando costas a essa drogada amalgama de mentiras e vaidades que chamam metrópole. Não voltarás? (...).
Carlos Richter in "A árvore dos Corações"
2 comentários:
As fotos foram tiradas no Alentejo. Os créditos pertencem a Duca Cardoso.
Adoro a "Árvore dos corações"
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