
Apreciavas uma montra Women’s Secret quando te surpreendi por trás. Coloquei as minhas mãos levemente nos teus olhos. Nada disse. Tu também não. Esboças-te um longo sorriso e deixaste escapar um som de surpresa. “Quem é?”, pensaste. Tocaste-me nos dedos vazios. Por aí não me podias identificar com certeza. Quem?... Tu? Ou… tu? Ou então… você? Três nomes e três rostos ondularam na tua mente.
Continuaste a acariciar os dedos e as mãos, como se as lesses. “Mãos que escrevem”, pensaste. “Mãos que me querem”. Podias ter procurado outras pistas, mas isso seria outro jogo. Querias entrar neste que eu te propunha. Só as mãos, como se eu te quisesse soprar “Deixa-me guiar-te”.
Com os polegares massajei as tuas têmporas ao de leve em círculos pequenos. O gesto expandiu-se para as pálpebras. Só os polegares e os indicadores se moviam. Deixaste-te ir para o seguinte nível do jogo. Já não me tocavas as mãos. Estendendo os braços procuras-te as minhas ancas encaixando os polegares nos meus bolsos, puxando-me ligeiramente para ti.
Afastei o teu cabelo para aceder ao teu ouvido. “Dá-te a mim… Deixa-me guiar-te… São dois minutos… Não abras os olhos, até eu ir”. Mordi ligeiramente o lóbulo da orelha. A minha boca desceu suave pelo teu pescoço e voltou a subir, alternando o toque com os lábios e a língua ou com ambos. Simulei uma dentada. Estremeces-te.
(continua)
Carlos Richter_22NOV2010
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