
A fabulosa obra dos alemães irmãos Grimm vai subir novamente ao palco do Auditório Municipal, num remake extraordinário d’A Jangada. Concebida no século XIX, Os Músicos de Bremen é uma peça com uma lição de vida para os nossos tempos. É uma bofetada de luva branca para aqueles que escorraçam os debilitados e os incapazes, e desprezam os indefesos e os idosos, remetendo entes queridos e vidas fatigadas para o esquecimento e para degredo.
Pequenos e graúdos apreciam esta encenação fabulada com a mesma intensidade e atenção. De facto, Os Músicos de Bremen na versão d’A Jangada é uma peça perfeita para a família, que é uma instituição cada vez mais enfraquecida pelas ânsias da ganância e pelas ganas do egoísmo.
Da encenação à cenografia e figurinos, passando pelo desenho de luz e pela produção, rasgados elogios podiam aqui ser lavrados acerca desta peça de teatro musical. Vou-me ficar pela abordagem à performance do quarteto de actores: Alberto Fernandes (o cão) transpira versatilidade e merece os parabéns pela magistral orquestração (a sequência de percussão com que a peça encerra é magistral); os consagrados Luiz Oliveira (o gato) e Patrícia Ferreira (o galo) são assombrosos; e por fim, o neófito Vítor Fernandes (o burro) é primoroso no seu papel e para ele se augura já uma carreira notável nas artes do palco.
Zé do Telhado, o Repartidor Público
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