quinta-feira, 29 de setembro de 2011

ODE AO OUTONO




Estação de neblinas, doce e fecunda!
Companheira íntima do sol, com ele vais,
Quando ele abençoa e inunda
De frutos as videiras junto dos beirais;
Pra vergar de maçãs a musgosa macieira
E a fruta por inteiro tornar madura
Pra inchar as cabaças, prà avelã ficar gorda
Com uma doce amêndoa; há flores com fartura
Pra que a abelha as tenha sempre que queira
E pense haver dias quentes a vida inteira,
Pois o verão seus favos pegajosos transborda .

Quem não te viu já de fartura rodeada?
Às vezes, quem te procura sob outros céus,
No chão dum celeiro encontra-te descuidada,
O vento da limpeza ergue-te os cabelos.
Ou num rego meio-ceifado, em fundo torpor,
Tonta do perfume das papoulas, parada
A foice, junto da ceara a ceifar te demoras;
Às vezes, tens direita, qual rebuscador1,
A pesada cabeça, ao passar a ribeira;
Ou, junto de a prensa, observas tranquila
A cidra a gotejar no fluir das horas.

Que é das canções da Primavera? Onde hão-de estar?
Esquece-as, tua música também tem valor –
Nuvens orlam o dia morrendo devagar
Tingem os restolhos de sua rósea cor;
De os mosquitos a dorida serrazina,
Crescente, entre os salgueiros do rio se ouvia,
Diminuindo, se o vento fica mais brando;
Os cordeiros balem na próxima colina;
Cantam grilos, alto, mas cheios de harmonia,
Num quintal, pisco vermelho assobia,
E as andorinhas chilreiam nos céus em bando.

John Keats (1795-1821)

terça-feira, 17 de maio de 2011

um dia de sorte



Hoje o dia acordou envolto numa neblina misteriosa que intrigou os pássaros e outras criaturas desta primavera; se eu lhe sorrir vai ser um dia de sorte;
com o amanhecer entrou pela janela um cheiro forte da humidade envolta no pó levantado das obras que por todo o lado cercam a paz mas prometem conforto; são obras na via pública, iguais iguaizinhas às obras que o destino arquitecta na minha alma...
o dia acordou assim a prometer nuvens e eu sorri para a vida como quem sorri para um devir incógnito e incerto. Sorrio e dou os bons dias ao mundo.
Vai ser um dia de sorte...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Sade, by your side


You think I'd leave your side baby?You know me better than thatThink I'd leave you down when you're down on your knees?I wouldn't do that.I'll tell you the right when you want...I'll, I'll find the wound, if only you could sink into me...Oh when you´re cold I'll be there, hold you tight to meWhen you´re on the outside baby and you can't get inI will show you, you're so much better than you knowWhen you're lost, when you're alone and you can't get backagainI will find you darling and I'll bring you homeAnd if you want to cry I am here to dry your eyes, oooo...In no time you'll be fine.....You think I'd leave your side baby?You know me better than that.Think I'd leave you down when you're down on your knees?I wouldn't do thatI'll tell you the right when you want...I'll, I'll find the wound, If only you could sink into me....Oh when you´re cold I'll be there to hold you tight to me, to me baby.Ohh when you´re alone I'll be there by your side baby, by your side baby.Oh when you´re cold I'll be there to hold you tight to me, to me baby.Ohh when you´re alone I'll be there by your side baby.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Acender velas ao vento



Excerto do diálogo entre o apaixonado Tantãn e Jiva, a sua protectora, na hora da partida para a Babilónia das sete colinas.

Senhora - Não vás, pelas tuas crias, não partas.
Tãntãn - Vou, perdoai-me, mas vou. Quedai-vos aqui a velar por elas.
Senhora - O risco da perdida é grande.
Tãntãn - Perdido já estou, pois aqui não me encontro.
Senhora - Mas a Babilónia é vil e corrompe os puros e os incautos!
Tãntãn - Benzei-me, então.
Senhora - Foste seduzido, nenhuma benção cabe em ti.
Tãntãn - Então, parto. Acenderei velas para me veres.
Senhora - Não te dês esse trabalho. Seria acender velas ao vento...
Tãntãn - Como sabereis de mim?
Senhora - Eu sinto-te, onde quer que vás.
Tãntãn - E, se eu precisar posso chamar-vos?
Senhora - Meu filho, não chames. Eu ouço-te antes disso. Mas não irei.
Tãntãn - Na juventude distante vós retiraste-me da frente daquele comboio...
Senhora - Desta vez não. És maior. Vai.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Arrrrrrrrrrrrrrghhhhhhhhhhh!



De maleitas e maldades conservo cicatrizes. Em batalhas e derrotas perdi troféus que mereci. De ilusões e sonhos mantenho memórias vivas. Com esta trilogia a dançar na mente, de chinelos à porta ele espera como se ela chegasse não mais.

[Carlos Richter, 01FEV11_Foto de André Boto]

It's Probably Me