terça-feira, 13 de julho de 2010

Sombras no Jardim do Meu Sossego



DÁLIA

Num vilar da comarca de Louzada tem morada a angústia. Passaram duas semanas desde o embarque do Corpo Expedicionário Português para a campanha de guerra que afligia a Europa. Nesse dia, o décimo-sétimo de Janeiro de 1917, Dália Maria de Barros Aristides Bacelar conservou na mão, de manhã à noite, o lenço com que acenou ao seu amado, Carlos Afonso Albuquerque de Riba Sousa, quando o comboio abalava da estação de Novelas sob uma linda aurora. Adormeceu com o lenço encharcado.
Da estação do telégrafo, na Vila de Louzada, arribam às mãos da donzela do Solar das Camélias curtas mas tormentosas notícias sobre os acontecimentos bélicos em França. A pior diz que os alemães usam de gases letais contra os Aliados.
Dália, que está noiva de Carlos, ressente-se da ausência deste, não só por amor mas assaz pela razão. Ipso factu, Carlos é um jovem de espírito tenaz, mas de tez franzina e corpo tísico.
Este herdeiro da Casa de Riba Sousa terminou o curso de medicina com distinção, em Coimbra, no início do verão de 1916. Era a primeira de duas aspirações que o apaixonavam.
Desde a Primavera que Carlos e Dália noivaram. O enlace estava arregimentado para finais do verão e o seu anúncio para o início deste. Mas eis que a comunicação não se fez.
Oito dias após a festa da licenciatura, Carlos foi acometido pelo mal pneumónico. Hordas de gente eram dizimadas pelo terrífico tifo enzimático. Contra todos os diagnósticos da medicina e prognósticos do mau agoiro, Carlos escapou ao cabo de três penosas semanas. Para gáudio geral e mais ainda dos jovens nubentes, iam casar. Finalmente.
Eis que não. Vinda do Ministério da Guerra e do Ultramar uma missiva convocou sine qua non Carlos de Riba Sousa para o tirocínio militar a fim de embarcar para a guerra.

SUAVIZANTES CAMÉLIAS

Nem só Dália padece de saudades extremas e dilacerantes. Mais arriba, distando milha e meia do Solar das Camélias, reside o fidalgo senhor de quase todo o lugar. O Visconde de Riba Sousa. Teme pelas debilidades do filho. Depois de ter tentado livrar o jovem por meios vários, incluindo idas infrutíferas à capital, rendeu-se. Não era crível que um monárquico e acérrimo contestatário da adesão de Portugal à guerra levasse avante a dispensa do filho. Entre ir ou fugir, Carlos escolheu a honra. O Visconde não resistiu à comoção e sucumbiu num colapso que lhe retirou a fala e o andar.
Decorria a Primavera de 1916. O esplendor de Louzada reflecte-se nas flores que brotam nas ravinas e nos prados e despontam nos canteiros e nos jardins.
É no jardim do senhorial Solar das Camélias que Dália, vistosa mas frágil, procura alento e recobro para a sua mágoa. Inebriada pela dócil luz primaveril, a jovem deambula pelo jardim com o vagar de quem parece quedar-se ali e sempre. Quando chove recolhe-se ao piano, tocando com mestria trechos de Chopin, de Bach e, vezes sem conta, o seu favorito “Fur Elise”, de Beethoven, que a abstrai do mundo de forma tal que nada e ninguém a despertam dessa deriva arrebatadora.
Carlos escreve a Dália sempre que está de licença. Dez dias de folga por mês permitem-lhe viajar da Flandres até à fronteira com Espanha, donde o correio abala para Portugal.
Cada carta é um novo alento, uma dose de fôlego para Dália. O ritual da abertura das primeiras cartas acontece no jardim, o seu recanto balsâmico que suaviza a dor, onde a ansiedade inquieta e sôfrega se rende à paz de espírito que se expande em Dália sob as camélias em flor. As benevolentes notícias de Carlos não condizem com a gravidade propalada pela imprensa. Não ignora nem menospreza, mas não lhe interessa a versão oficial, aceita a mentira de Carlos.
Dália abraça as cartas e os postais como se apertasse nos seus braços o seu amado. Tão amarrotadas ficam folhas e envelope que depois de ler e reler, de beijar e acariciar, alisa lenta e delicadamente o papel… Posto tudo direito e devidamente fechado no envelope, encosta-o ora no seu peito, ora no rosto. Quase em estado de transe, com um ténue sorriso nos lábios, Dália fica-se imóvel, desfrutando do sol numa face e na outra o pedaço do seu noivo feito carta…
A leitura apazigua o seu espírito. Depois do meio-dia o seu porto está na sombra das camélias. Lê jornais. O “Vida Nova”, da vizinha Senhora Aparecida, ou o “Jornal de Louzada”, de um grande amigo da família, costumam estar no banco do jardim. Junto destes é usual a companhia das obras de Eça de Queirós e Júlio Dinis. Os românticos liberais são os seus autores favoritos, cujos romances a levitam para longe. Nem mesmo uns inoportunos e inesperados pingos de chuva a despertam facilmente do encantamento que nela provocava a enésima leitura d’ “Os Maias”.
Certa ocasião, lendo debaixo da centenária camélia branca, os pingantes transformaram-se numa copiosa chuva. A criada Adelaide bradou da janela: “Ó menina, está a chover!” Dália levantou a dócil face, constatando que se molhava abundantemente. Um único gesto rápido ela tomou; recolheu no regaço o volume queirosiano superiormente encadernado pela Lello & Irmão, do Porto e que Carlos lhe oferecera no Natal. Posto isso, lentamente, com um sorriso de quem se sente apanhada pela tempestade mas feliz por nem isso lhe retirar o prazer inebriante daquela leitura. E andando se dirigiu para a casa, de nada valendo a insistência de Adelaide, que não parava de gritar “Corra, menina!”.

PRESSÁGIOS
Com o final da Primavera chegou um tórrido Verão. A angústia do silêncio feito da falta de cartas de Carlos instalou-se assustadoramente. Por quatro semanas a fio nem cartas nem notícias telegrafadas. Nada dizia como estava a guerra no front, como se não houvesse guerra.
Numa escaldante tarde apaziguada pela sombra das camélias, Dália perscrutou ao longe um ruído de automóveis. Uma raridade ali. Num raio de muitas milhas só o Visconde tinha tal engenho. O som aproxima-se numa cadência constante. O seu coração batia aceleradamente. Num ápice abeirou-se do portão indagando.
Eram dois veículos. O da frente claramente militar e o de trás era estranho. Estancaram adiante no largo fronteiro ao Solar de Riba Sousa. Então era nítido que o segundo veículo era da Cruz Vermelha.
Quatro oficiais do exército apearam-se do primeiro carro e dirigiram-se para as traseiras da ambulância.
Dália correu desenfreadamente pelo caminho de terra batida que ligava à casa dos Bacelares. Durante a correria gritou o nome que desde 17 de Janeiro não mais pronunciara.
O Tenente Carlos de Riba Sousa falecera em combate. A notícia, há muito temida e agora irreversível, caiu nos corações daquele lugar e das terras circundantes com estrondo. A dor estridente de Dália propagou-se em eco pelas vinhas e pinhais, prados e carvalhais.
Ao cabo de dias de um choro lancinante, fez-se um silêncio sepulcral. Dália Bacelar fechou-se em si. “Uma certa demência, certamente”, alvitrava o médico, Dr. Rodrigo de Vasconcelos, “ou talvez um encerramento da fé”, sugeria o pároco Reverendo Manuel Assis.
Após as exéquias, Dália eclipsou-se. Confinada ao seu quarto, só Adelaide, a aia, lá entrava. Parecia optar por desistir, para sempre se enclausurando. Mas eis que, quando a quiseram internar em Travanca, insurgiu-se e rebelou-se na sua rebeldia que não se lhe via desde a adolescência. Parecia ter sido o tónico que faltava para fazer a jovem despertar da dormência a que se votara. De facto, desde a extinção de Carlos de Riba Sousa que nenhuma palavra lhe era ouvida.
Debalde tais esperanças da família e da crente Adelaide, a donzela prosseguiu refugiando-se em si mesma. E assim foi definhando, até uma gélida manhã primaveril.

MORRER DE AMOR

A noiva-viúva da Casa dos Bacelares extinguiu-se a si mesma, na ânsia de ir ter com o seu amado noutras paragens, que ali não o encontrava e sem ele não vivia.
Vestida de noiva dirige-se à capela da casa, rogando clemência à Nossa Senhora da Boa Viagem, para lhe perdoar o último acto.
Minutos depois Dália é encontrada afogada no lago fronteiro à casa. A aia de Dália foi quem deu com o corpo gélido, quando a sua atenção foi chamada para um bando de pombas brancas pousado nas bordas do lago. Ainda não se abeirava do sítio e já o bando levantara num voo.
Formando um círculo quase perfeito o bando branco ergueu-se em direcção ao firmamento. Nunca antes foram vistas aquelas pombas na propriedade, nem jamais a criada as vislumbrou.
Até falecer, aos 92 anos de idade, Adelaide relatou com uma notável lucidez o sofrido e apaixonado fadário da noiva-viúva, aos turistas do Solar das Camélias. FIM

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Isto não era assim!


Era dia de festa na sala.
A madrinha levou um bolo enorme, com 15 velas. Tinha o símbolo pintado e tudo. Ena pá, baril. Era dia de sala cheia! Já se lia o preâmbulo e ainda se colocavam uns balões prá malta estoirar durante os parabéns...
A cafeteira já dava sinal ao distraído servidor... o café hoje tinha acompanhamento: chocolate de menta!

A dada altura poucos ouviram a pesada porta ranger. Alguns procuramos com o olhar quem entrava. Uma mulher jovem, de ar desleixado, cara encoberta pelo cabelo engrenhado, deixando escapar um ar sofrido. Estancou à entrada. Não era propriamente uma festa que procurava. Olhou para um papel que trazia na mão... era um horário das reuniões... E logo eu lhe disse: "É aqui! Entra!".
E ela entrou. Devagar, desconfiada. Mas entrou. Foi andando, andando, até que se sentou na última fila, a que estava vazia. Sozinha, de costas para o resto da malta.
O cafezeiro dirigiu-se a ela com um café e o chocolate... "É para mim?!" Foi a única coisa que lhe ouvimos durante a sua presença ali. "Sim, é oferta!", respondeu o servidor.

A reunião decorreu, em ambiente animado, mas sério. O orador convidado procurou transmitir uma mensagem de esperança. Parecia que a todos tocou com a sua força, fé e esperança. A ela também porque eu vi-a acenar com a cabeça, como quem concorda com o que está a ouvir.
No final, palmas, abraços, ...euforia e contentamento. Largos minutos depois pergunto "E a recém-chegada?" Entre ares de infdiferença e encolhimento de ombros ninguém mais a viu. Dois de nós fomos procurá-la. Népia.

Quatro meses depois nova RC chegou à sala. Aqueles olhos verdes não viam o sítio pela primeira vez. Era ela, a mulher com ar de mocinha. Mas agora era uma mulher com ar de mulheraça. Quando a reunião acabou e apesar da pressa dela. Vários foram os que a abordaram. Deram_lhe o número de telemóvel, literatura, blá, blás e mais blá blás da praxe de bem receber RC's. Isto foi sempre assim?... Não, no meu tempo de RC naõ era nada disto. Felizmente.

por Lita L. em 15 de Outubro de 2009

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Casablanca



Ilsa: Play it once, Sam. For old times' sake. Sam: [lying] I don't know what you mean, Miss Ilsa. Ilsa: Play it, Sam. Play "As Time Goes By." Sam: [lying] Oh, I can't remember it, Miss Ilsa. I'm a little rusty on it. Ilsa: I'll hum it for you. Da-dy-da-dy-da-dum, da-dy-da-dee-da-dum... [Sam begins playing] Ilsa: Sing it, Sam. Sam: [singing] You must remember this / A kiss is still a kiss / A sigh is just a sigh / The fundamental things apply / As time goes by. / And when two lovers woo, / They still say, "I love you" / On that you can rely / No matter what the future brings-... Rick: [rushing up] Sam, I thought I told you never to play-... [Sees Ilsa. Sam closes the piano and rolls it away]
Ilsa: I wasn't sure you were the same. Let's see, the last time we met... Rick: Was La Belle Aurore. Ilsa: How nice, you remembered. But of course, that was the day the Germans marched into Paris. Rick: Not an easy day to forget. Ilsa: No. Rick: I remember every detail. The Germans wore gray, you wore blue.
Rick: Tell me, who was it you left me for? Was it Laszlo, or were there others in between? Or - aren't you the kind that tells?
Ilsa: Rick, I have to talk to you. Rick: [Rick is drunk] Uh-huh. I saved my first drink to have with you. Here. [passes her a drink] Ilsa: No. No, Rick, not tonight. Rick: *Especially* tonight. Ilsa: Please... [he pours a drink] Rick: Why did you have to come to Casablanca? There are other places. Ilsa: I wouldn't have come if I'd known that you were here. Believe me Rick, it's true I didn't know... Rick: It's funny about your voice, how it hasn't changed. I can still hear it. "Richard, dear, I'll go with you anyplace. We'll get on a train together and never stop - " Ilsa: Don't, Rick! I can understand how you feel. Rick: [scoffs] You understand how I feel. How long was it we had, honey? Ilsa: [on the verge of tears] I didn't count the days. Rick: Well, I did. Every one of 'em. Mostly I remember the last one. The wild finish. A guy standing on a station platform in the rain with a comical look in his face because his insides have been kicked out. Ilsa: Can I tell you a story, Rick? Rick: Has it got a wild finish? Ilsa: I don't know the finish yet. Rick: Well, go on. Tell it - maybe one will come to you as you go along. Ilsa: It's about a girl who had just come to Paris from her home in Oslo. At the house of some friends, she met a man about whom she'd heard her whole life. A very great and courageous man. He opened up for her a whole beautiful world full of knowledge and thoughts and ideals. Everything she knew or ever became was because of him. And she looked up to him and worshiped him... with a feeling she supposed was love. Rick: [bitterly] Yes, it's very pretty. I heard a story once - as a matter of fact, I've heard a lot of stories in my time. They went along with the sound of a tinny piano playing in the parlor downstairs. "Mister, I met a man once when I was a kid," it always began. [laughs] Rick: Well, I guess neither one of our stories is very funny. Tell me, who was it you left me for? Was it Lazlo, or were there others in between or... aren't you the kind that tells? [Ilsa tearfully and silently leaves. Rick's face falls in his hands sadly, knowing that he's said all the wrong things]

quinta-feira, 18 de junho de 2009

OS EXTRATERRESTRES EXISTEM... MAS TÊM MEDO DE NÓS!


Vai subir ao maior palco do mundo, a rua, a mais esperada produção do ano OS EXTRATERRESTRES EXISTEM... MAS TÊM MEDO DE NÓS!


a peça, dividida em dois actos, começa às 01:00 AM de sabado na Praça do Mercado


OS EXTRATERRESTRES EXISTEM... MAS TÊM MEDO DE NÓS! é uma ode irónica e crítica à pós-modernidade e ao capitalismo.


será servido pão quente com manteiga, pela crew do Trigo


é uma obra assinada por Giovanni Balti e Bianca d'Altregnio, em colaboração com o Gangue da Fantochada da Paz.


a música é dos BiBiBand


pirotecnia a cargo de Berto Carvalheiras


é uma produção independente e a-política, mas extremamente ideológica.


OS EXTRATERRESTRES EXISTEM... MAS TÊM MEDO DE NÓS! tem como sub-título ...MAS SÃO SUPERIORES...



quinta-feira, 7 de maio de 2009

La Jeunesse du Monde


Ils aimeraient nous monter les uns contre les autres,Mais si Dieu le veut bien, ce sera les gens simples contre les ordres,Enfants du siècle, avançons le poing levé,Jeunesse et peuple du Tiers monde nous marcherons à tes côtés,Ta lutte est la nôtre, tout comme notre lutte est la tienne,Justice et liberté pour tous les habitants de la terre,Sèche tes larmes et relève la tête on est pas die,Le combat nous attend, en toi sera le premier champ de bataille,RESISTANCE...On a dit NON !On a le nombre, jeunesse du monde !Ce sera plus jamais sans nous, dignité et conscience,On est des milliards à vouloir faire tourner la roue dans l'autre sens,Des pays oubliés, jusqu'aux oubliés de nos pays,Marginal des pays riches, qu'attends-tu pour désobéir ?Mon rap prône l'insurrection car plus question de laisser faire,La lutte est nécessaire, en d'autres termes : ils veulent nous baiser frère...Contre leur dictature mondiale, c'est ensemble compagnon,Que s'amorce la mondialisation de la rébellion !On a tous le même ennemi, plein de sang sur ses écus,Qui persécute à tout va, les oubliés et les exclus,Jeunesse du Tiers Monde, nous partageons ta douleur,Vois-tu l'arc-en-ciel au loin, c'est la rébellion et ses couleurs,Rajoute la tienne, là où est écrit en gros,JUSTICE ET LIBERTE POUR TOUS, A Nous De Cramer Leur Enclos !Refrain :Résistance, à l'heure du néo-libéralisme et de ses guerres concrètes,Résistance, à l'heure du néo-colonialisme et de ses nouvelles conquêtes,Résistance, à l'heure du néo-libéralisme et de ses guerres concrètes,Résistance, à l'heure du néo-colonialisme et de ses nouvelles conquêtes,On est tous menacé, le système capitaliste,N'est qu'un prédateur, regarde dans le monde ce qu'il réalise,Des génocides lorsque des peuples ne veulent pas quitter leurs terres,Pour les vendre à des grosses compagnies, grand frère des militaires,Chantage gouvernemental, en Occident ils nous bernent le mental,Avec leur obsession du rentable !Ne connaissent pas l'amour, juste l'argent avec un grand « A »,Faites pas la paix mais la guerre c'est prolifique pour la vente d'armes,Ils ne voient que leurs avantages, compagnon faut qu'on s'active,Regarde leurs nuages, il en tombe du sang radioactif,Leur sincérité est ironique,Considéré « jetable » si tu es inutile à leur croissance économique,La IVeme guerre mondiale enclenchée ne soit pas triste,L'espoir existe, regarde le noble mouvement zapatiste,Pour toutes les résistances, compagnons combattons,Tous les oubliés du monde c'est ensemble que nous vaincrons...Contre leur dictature mondiale, c'est ensemble compagnon,Que s'amorce la mondialisation de la rébellion !On a tous le même ennemi, plein de sang sur ses écus,Qui persécute à tout va, les oubliés et les exclus,Jeunesse du Tiers Monde, nous partageons ta douleur,Vois-tu l'arc-en-ciel au loin, c'est la rébellion et ses couleurs,Rajoute la tienne, là où est écrit en gros,JUSTICE ET LIBERTE POUR TOUS, A Nous De Cramer Leur Enclos !Refrain :Résistance, à l'heure du néo-libéralisme et de ses guerres concrètes,Résistance, à l'heure du néo-colonialisme et de ses nouvelles conquêtes,Résistance, à l'heure du néo-libéralisme et de ses guerres concrètes,Résistance, à l'heure du néo-colonialisme et de ses nouvelles conquêtes,C'est la loi des grandes entreprises, leur monde une caricature,Mondialisation libérale, économie et dictature,Le Tiers Monde ligoté, par tout traité de traître seulement,Pendant que le FMI impose son programme d'ajustement,Ca privatise à tout va, entrepreneurs politiciens,Dévaluent l'entreprise d'Etat pour la vendre aux copains,Ils se refont le monde entre eux, sans même se cacher,Ils s'foutent des peuples et des cultures, pour eux le monde n'est qu'un grand marché,Un grand monopoly, qui finira en monopole,Si leurs manigances t'as compris, alors méfie toi d'Interpol,Les Droits de l'Homme comme les contes de fée c'est loin,Comme Babylone tu fermes ta gueule et obéit c'est l'OMC qui fait ses lois ! Tiens !Nous sommes que des statistiques ou des gentils esclaves,Fais gaffe à l'accident trop fort et trop vrai tu t'exclames,Arrive le plus grand génocide, où le plus grand des désordres,Quand une civilisation se dresse, et veut exterminer les autres !Contre leur dictature mondiale, c'est ensemble compagnon,Que s'amorce la mondialisation de la rébellion !On a tous le même ennemi, plein de sang sur ses écus,Qui persécute à tout va, les oubliés et les exclus,Jeunesse du Tiers Monde, nous partageons ta douleur,Vois-tu l'arc-en-ciel au loin, c'est la rébellion et ses couleurs,Rajoute la tienne, là où est écrit en gros,JUSTICE ET LIBERTE POUR TOUS, A Nous De Cramer Leur Enclos !Babylone Babylone, entends-tu la colère monte,Les oubliés de l'Occident et les oubliés du Tiers Monde,Babylone Babylone, tu nous a dit c'est Marche ou Crève,Alors on marche ensemble contre toi pour faire valoir nos rêves,Babylone Babylone, tu voudrais nous voir notre déclin,Qu'nos idéaux partent en éclats, mais méfie-toi car on est plein,Babylone Babylone, ta fin est proche,Compte sur nous pour danser sur tes cendres quand ton règne finira en feu !

It's Probably Me